Caderno de Desenhos

16 de out de 2017

Desenhar para a Publicidade


Eu gosto de desenhar para a publicidade. A boa publicidade força o cartunista a ser ainda mais criativo, encontrando meios de comunicar tão rápido quanto no desenho editorial. 

O uso constante de fotos de banco de imagens , tornou a publicidade uma coisa maçante, meio "tudo igual" e roubou da maioria das marcas e ideia de autonomia e autenticidade.
As pessoas gostam de ser únicas, especiais, por isso todo mundo quer ser uma "celebridade" em seu perfil nas redes sociais - as selfies estão aí para comprovar o que digo. Logo, o raciocínio da maioria de nós é: eu gosto de marcas, produtos e serviços que se parecem comigo ou comunicam o meu jeito de ser.

Eu expliquei isso tudo aí acima pra dizer que meu amigo Davi, dono do Alpha Gourmet, acaba de me encomendar um cardápio ilustrado com Cartuns para a reabertura de seu estabelecimento, ainda essa semana, no bairro Alfa Sul, em Manhuaçu.

Na hora lembrei de quando criava as Artes do restaurante do Roninho, o Cantina Caldos e Pizzas.
O mascote (a Panelinha) eu criei no final de dezembro do ano 2.000 - ele surgiu de uma ilustração que fiz para o primeiro Cardápio - aquelas coisas maravilhosas que só a serendipidade pode promover.



A capa do folder - para promover o serviço de Delivery (entregas) - foi em 2.002. 


 Também tem essa capa do 2º Cardápio que era da mesma época, ano 2.000.


Achei tudo no HD.
Quando visitei esses desenhos, vi o quanto meu desenho mudou, mas também vi que a alma do estilo de meu traço já estava ali. 

Grande abraço!
- Rico




Horário de Verão




6 de out de 2017

Charges





Que desenho bacana!


Quando fui à exposição do Millôr no Instituto Moreira Salles em abril do ano passado, voltei intrigado.

Antes disso, a única vez em que vi trabalhos originais do Millôr foi no Salão Carioca de Humor de 2005, quando fui receber o prêmio de Charges. Mesmo assim, eram trabalhos elaboradíssimos. Aquelas árvores com duzentos trilhões de folhinhas, desenhadas uma a uma, que vocês já devem ter visto por aí na internet.
Nessa exposição lá no Instituto Moreira Salles, com o título de Obra Gráfica, organizada pelo Loredano (outro monstro consagrado), vi desenho do Millôr de tudo quanto é jeito.
Que liberdade! Que delícia ver aqueles desenhos pintados com tinta de verdade, traçados com tudo que é tipo de caneta, bico de pena, pincel, lápis... ele era um experimentador incansável.
Voltei pra minha Manhuaçu, com a cabeça nas nuvens... atordoado, aéreo, sem compreender como era possível uma coisa daquela. Fiquei bobo de ver tanta liberdade pra desenhar, tipo eu fazia quando era criança. Não que os desenhos dele fossem feitos de qualquer jeito – não senhor, mesmo! – mas, tinha um negócio de fazer o desenho ali na hora e o que sair tá valendo. LI-BER-DA-DE!
Tipo a mesma que o Henfil tinha ao desenhar - acho que vocês estão me entendendo.

Desenhar, profissionalmente, é trabalhoso. MUITO!
Você planeja o desenho, fazendo mil esboços antes de chegar na ideia ideal; passa a tinta da arte final, apaga o lápis, escaneia, corrige o traço, aplica cores nas duzentas camadas do photoshop... um suplício, pra depois algumas pessoas chegarem e dizer “Nossa, que DESEINHO bacana”.  
Isso sem contar o capital intelectual da coisa. Pra fazer o tal “deseinho bacana” você já leu dezenas, centenas, talvez até algumas milhares de livros (imagine um cartunista, dos bons, aos 80 anos de idade? Quantos livros ele já leu? Lêras, um fecho e punhado, como se diz em bom mineirês), horas e mais horas vendo TV, lendo jornais, revistas, sites, blogs, portais... AAAARRRGGHH!! É trem praca!

Mas, abro aqui um parêntese pra dizer que é tudo por prazer. Prazer de poder passar na vida e deixar uma marca, uma lembrança, um pedacinho na História. Pra mim, o Valor Histórico é a recompensa do suplício. Alguns, deixam suas marcas com guerras, outros com descobertas, outros pelo sacrifício inumano e outros pela arte, pelo desenho, pelas opiniões. Tá tudo certo. Cada um na sua.

O negócio é que depois que voltei da exposição do Millôr, eu não estava mais querendo fazer um desenho “preso”. Queria desenhar com liberdade, fazer a ideia passar direto da cabeça pra folha, sem rodeios. Daí, comecei a experimentar canetas, tintas, lápis, colagem (ele fazia umas massa!), pintar tela, papel, isopor, qualquer coisa que me aparecesse pela frente. Quem acompanha o meu Instagram deve ter estranhado aquele Rico diferente do habitual. Tem muitas experimentações lá. Umas deram certo, outras foram pontes para trabalhos futuros. Como disse a personagem da tirinha “A diferença entre o Artista e o moldureiro é que o trabalho do moldureiro tem que ficar bom”. Isso é porque o acaso produz Arte. Nós, os Artistas, aprendemos muito com o acaso, com os “erros”. Nem me fale!

Outra coisa que aconteceu comigo foi que depois das experiências que tive meu jeito de ver a vida, as coisas e as pessoas mudou. Então comecei a sentir que meu desenho habitual meio que aprisionava as ideias que eu queria desenhar. As novas ideias. Então, decidi usar um tipo de desenho diferente para falar das coisas que acho mais sérias. Andei experimentando muito naquela série “Que cara estranho”, vocês devem ter reparado.
Claro que continuo com meu bonequinho narigudo dos cartuns, mas ao ver os desenhos do Millôr e a energia deles, minha mente se abriu para uma outra área que até então eu não havia me aventurado.
Vamo que vamo!

Grande abraço!

- Rico.

Abaixo dois desenhos que fiz assim que cheguei da exposição:





Que cara estranho